GLOBALIZAÇÃO E OS NOVOS CAMINHOS DA ECONOMIA MUNDIAL
A globalização é um processo que transformou profundamente o mundo nas últimas décadas, aproximando países e sociedades por meio da economia, da tecnologia e da cultura. Esse fenômeno foi favorecido por condições como o avanço dos meios de transporte, que encurtaram distâncias, e das telecomunicações, que permitiram a circulação rápida de informações. Além disso, o crescimento do comércio internacional e a expansão do capitalismo criaram uma rede de interdependência entre nações, fazendo com que decisões tomadas em um país impactassem diretamente outros lugares do planeta. Hoje, é impossível pensar em economia ou política sem considerar esse cenário global.
A chamada Terceira Revolução Industrial, também conhecida como Revolução Técnico-Científica, está diretamente ligada à globalização. Ela trouxe inovações como a informática, a biotecnologia e a automação, que revolucionaram a produção industrial e os serviços. Essas tecnologias permitiram maior integração entre mercados e empresas, além de facilitar a criação de multinacionais que atuam em diversos países. O resultado foi o “encurtamento” das distâncias, já que a comunicação digital e o transporte moderno tornaram o mundo mais conectado, permitindo que produtos, capitais e informações circulem em tempo real.
Nesse contexto, surgem diferentes formas de organização empresarial. O cartel ocorre quando empresas do mesmo setor combinam preços ou produção para reduzir a concorrência. O truste é a fusão de várias empresas em uma só, controlando grande parte do mercado. Já a holding é uma empresa que administra e controla outras, formando grupos econômicos complexos. Essas práticas mostram como o capitalismo busca constantemente novas formas de ampliar lucros e dominar mercados, influenciando diretamente os fluxos de capitais. Os fluxos produtivos são aqueles destinados a investimentos em fábricas, infraestrutura e geração de empregos, enquanto os especulativos envolvem movimentações financeiras rápidas, como compra e venda de ações, que podem gerar instabilidade econômica.
Portanto, compreender a globalização é entender como o mundo se tornou interligado e como as transformações tecnológicas e econômicas moldam nossa realidade. Esse processo trouxe benefícios, como maior acesso a produtos e informações, mas também desafios, como a concentração de poder nas mãos de grandes empresas e a dependência tecnológica dos países subdesenvolvidos. Para os estudantes de Geografia, analisar a globalização é essencial para perceber como o espaço geográfico se reorganiza e como as relações econômicas e sociais se tornam cada vez mais complexas em escala mundial.
Fonte: Organização das Nações Unidas (ONU) e Banco Mundial.
1. Que condições favoreceram o avanço da globalização?
2. Estabeleça a relação entre a Terceira Revolução Industrial e o processo de globalização.
3. Qual é a relação entre os avanços tecnológicos e o “encurtamento” das distâncias?
4. Quais foram as mudanças ocorridas na atividade industrial com a expansão do capitalismo no mundo e o crescimento do comércio internacional?
5. Além dos domínios de novos mercados, cite algumas das vantagens encontradas nos países subdesenvolvidos pelas em- presas multinacionais.
6. Atualmente, os investimentos das empresas multinacionais estão voltados apenas para o setor secundário nos países subdesenvolvidos. Esta frase está correta? Explique sua resposta.
7. Quais as estratégias adotadas pelas multinacionais para enfrentar a concorrência?
8. Diferencie os termos abaixo:
a) Cartel
b) Truste
c) Holding.
9. Sobre fluxos de capitais, responda.
a) O que são fluxos de capitais produtivos?
b) O que são fluxos de
capitais especulativos?
10. Analise o mapa e o gráfico e responda às questões.
a) A face da globalização representada no mapa e no gráfico acima, caracteriza-se como algo homogêneo entre os países do mundo? Justifique sua resposta.
b) A Índia apresenta um dos maiores grupos de usuários da internet. Isso significa dizer que a internet é acessível a grande parte da população indiana? Justifique sua resposta. Analise esses dados nos demais países representados.
c) Que contradições existem entre a expressão “aldeia global” original, concebida por Marshall McLuhan, e a realidade da globalização atual? Utilize o exemplo do mapa da página ao lado para compor sua resposta.
11. Leia o texto e responda às questões.
Quando ouvimos a palavra “Rolls-Royce”
imediatamente pensamos num automóvel de luxo feito a mão, com um motorista
uniformizado na direção e um casal muito bem vestido no assento traseiro. E se
eu dissesse agora que a Rolls-Royce nem sequer fabrica mais automóveis (essa
parte da empresa foi vendida em 1972 e a BMW adquiriu a licença para usar a
marca em 1998); que a metade da renda da companhia provém de serviços, e que em
1990 todos os seus empregados estavam na Grã-Bretanha e hoje 40% estão baseados
fora do Reino Unido, integrados a uma operação global, que se espalha da China
a Singapura, à Índia, à Itália, à Espanha, à Alemanha, ao Japão e até à
Escandinávia? Há muito tempo chegamos à conclusão de que não podíamos ser
simplesmente uma firma britânica - disse-me Sir John Rose, principal executivo
da Rolls-Royce numa entrevista. O Reino Unido é um mercado muito pequeno. No
final dos anos 80, 60% de nossos negócios eram produtos militares [especialmente
motores a jato] e nosso principal cliente era o governo de sua Majestade. Mas
precisávamos expandir nossa atuação a um nível mundial, e para isso tínhamos de
reconhecer que o maior cliente para qualquer produto nosso seriam os Estados
Unidos, e também precisávamos ter êxito em mercados não relacionados a produtos
militares. Assim, transformamo-nos em uma firma de tecnologia (especializada
em) sistemas de propulsão. Atualmente a competência essencial da Rolls-Royce é
a fabricação de turbinas a gás para aviões civis e militares, helicópteros e
navios, e para as indústrias de geração de energia a gás ou óleo. Seus clientes
estão em 120 países e a companhia emprega cerca de 35 mil pessoas, mas somente
21 mil estão no Reino Unido, sendo o restante parte de uma rede global de
funcionários nos setores de pesquisas, serviços e manufaturas.
a) Qual é o país de origem da empresa Rolls-Royce? E, de acordo com o texto, quais e quantos são os países em que ela atua?
b) Cite dois exemplos em que o texto evidencia a fragmentação da produção da empresa Rolls-Royce.
c) As razões que levaram a Rolls-Royce à fragmentação de
seu processo produtivo foram semelhantes às razões de muitas outras
multinacionais. Cite as vantagens obtidas pelas multinacionais com a
fragmentação do processo produtivo.
GABARITO
1. A expansão e a hegemonia do capitalismo no mundo levaram a uma fase marcada por progressos técnicos e científicos e proporcionaram o desenvolvimento das tecnologias da informação, que, aliadas à expansão crescente dos fluxos comerciais proporcionada pelo desenvolvimento de meios de transportes cada vez mais eficientes, criaram as condições necessárias para o avanço da globalização.
2. O desenvolvimento científico e tecnológico nos países mais ricos culminou na Terceira Revolução Industrial, atingindo diversas áreas do conhecimento, principalmente as tecnologias da informação. Aliado à expansão dos fluxos comerciais e dos meios de transporte, esse processo permitiu a integração cada vez maior do espaço mundial, proporcionada pela crescente circulação de mercadorias, informações e pessoas e criando as condições necessárias para o avanço da globalização.
3. Os avanços tecnológicos dos meios de transporte e de comunicação tornaram os deslocamentos mais rápidos e eficientes, diminuindo o tempo gasto nas viagens, ou seja, tornando possível percorrer longas distâncias em poucas horas. Além disso, as novas tecnologias de telecomunicações acabaram permitindo a troca acelerada e quase instantânea de informações no mundo todo, que, incorporadas ao nosso cotidiano, acabam interferindo na percepção do espaço e do tempo.
4. Houve a dispersão da atividade industrial pelo mundo com as multinacionais, que passaram a desenvolver suas atividades em diversos países, sobretudo nos subdesenvolvidos, em razão das inúmeras vantagens e também para conquistar novos mercados.
5. Entre as principais vantagens encontradas pelas multinacionais nos países subdesenvolvidos, destacam-se: o baixo custo da mão de obra, a disponibilidade de matérias-primas a baixos Custos, a existência de legislações trabalhistas e ambientais menos rígidas, a presença de grandes mercados consumidores, a liberdade para remeter os lucros às matrizes no país de origem, a concessão de incentivos fiscais, como a redução ou isenção de impostos.
6. Não, pois a partir da década de 1970 o processo de expansão das multinacionais entrou em uma fase marcada pela diversificação dos investimentos em outros setores da economia, como o de serviços (bancos, corretoras, financeiras, seguradoras), de comércio atacadista e varejista (redes de lanchonetes, hipermercados, lojas de departamentos), de infraestrutura (geração de energia, construção) e também do setor agropecuário.
7. As grandes corporações multinacionais passaram a adotar estratégias como: a informatização; a automação e a robotização do processo produtivo, para ampliar a produtividade e diminuir os custos com mão de obra; a otimização dos processos de produção e a implantação de novos métodos de trabalho para eliminar o desperdício; a melhoria da qualidade dos produtos e ser- viços; os investimentos em propaganda e marketing; a redução dos estoques. Além disso, também passaram a formar os monopólios e oligopólios em suas mais diversas variações.
8. a) Cartel: ocorre quando empresas concorrentes fazem acordos para dominar o mercado de determinado produto, eliminam outros concorrentes e aumentam o preço dos produtos para ampliar os seus lucros.
b) Truste: ocorre pela fusão ou incorporação de empresas que atuam em um mesmo setor de atividade e que abrem mão de sua independência legal para se tornar uma única organização, com o intuito de dominar o merca- do de produtos ou serviços em que operam.
c) Holding: tipo de empresa criada com a finalidade exclusiva de controlar e administrar um conglomerado de empresas, chamadas subsidiárias, que pertencem a um determinado grupo econômico.
9. a) São investimentos que se instalam no território de determinado país visando lucros com a prestação de serviços e outras atividades produtivas.
b) São investimentos que buscam apenas a obtenção de vantagens a curto prazo, em razão de determinadas oportunidades oferecidas pelo mercado, como ocorre com o dinheiro do exterior que entra na bolsa de valores.
10. a) Não, pois o número de usuários e a porcentagem da população que utiliza a internet são maiores nos países desenvolvidos, o que evidencia as disparidades de acesso à rede entre os países.
b) Na Índia, embora o número de usuários da internet seja significativo, a porcentagem da população que a utiliza é baixa, aproximada- mente 18%, lembrando que esse é o segundo país mais populoso do mundo. No Reino Unido, por exemplo, aproximadamente 92% de sua população utiliza a internet, o que de- monstra a disponibilidade e disseminação desse serviço no país.
c) A contradição se deve ao fato de o termo al- deia global original se referir a uma população mundial interligada e participativa, o que na realidade não existe, pois uma imensa parcela dessa população, sobretudo aquela que vive nas regiões mais pobres do globo, encontra-se totalmente excluída dos benefícios tecno- lógicos trazidos pela globalização. Com base no mapa, observa-se a disparidade da porcentagem da população que utiliza a internet entre Índia, Indonésia e Reino Unido, por exemplo. Logo, verifica-se também a diferença da porcentagem de usuários de internet entre os países desenvolvidos e os subdesenvolvidos.
11. a) A
Rolls-Royce tem origem britânica, mas deixou de fabricar na Inglaterra após a
sua venda, em 1972.
Atualmente suas atividades são desenvolvidas na China, Singapura, Índia, Itália, Espanha, Alemanha, Japão e Escandinávia.
b) A companhia emprega cerca de 35 mil pessoas, mas somente 21 mil estão no Reino Unido. Metade da renda da Rolls-Royce provém de negócios fora do Reino Unido.
c) Entre as vantagens estão: a diminuição dos custos operacionais de produção, a ampliação dos lucros e o direcionamento de parcelas específicas de suas atividades produtivas para os lugares do mundo em que as condições econômicas são mais vantajosas.